Whispering Corridors 2 - Acima de tudo, um romance

O amor dói mais em uns do que outros, sua possessividade fica longe do que dizem ser um sentimento puro, pode se tornar um sentimento obsessivamente mortal.


A aceitação das diferenças de gênero não é algo tão bem aceito quanto gostaríamos, ainda mais se tratando da Ásia, esse post não tem o intuito de ser uma crítica social, mas antes de apresentar este filme, é preciso deixar isso em pauta, afinal, esse é o tema principal dele e o fator cataclísmico que serve de gatilho para o seu desenvolvimento.

Whispering Corridors 2- Memento Mori é um suspense em uma escola para meninas, todas tem relação comum de escola, peripécias, fofocas e conversas jogadas fora, mas em meio disso, acontecimentos obscuros que passam por baixo dos olhos do espectador, eventos esses que só serão revelados para os que se mantém atentos.

Para explicar o desenvolvimento, primeiro precisamos explicar os personagens, suas cargas emocionais e suas personalidades, mostrar o que dá alma ao enredo.


Não deixem que a cara de arquiteta de planos malígnos enganem vocês, Hyo-shin é uma estudante esforçada, tem uma carga literária bem pesada e adora poemas, além de tocar piano muito bem. Porém, por trás dessa máscara de maturidade e perfeição, ela é instável, dependente, obsessiva e possessiva, o tipo de pessoa que sem o menor aviso pode causar o caos. Ela é o principal motivo dos acontecimentos da filme, alvo da inveja de todos e constantemente atacada por colegas que não gostam da carga artística de princesa que ela emana, a típica "Sou perfeita demais para me manter em sociedade sem ser linchada".


Shi-eun, uma menina quieta, as vezes parece mal encarada, porém uma ótima esportista. Por trás do seu silêncio tem um sério problema auditivo que ela esconde para poder continuar participando nos esportes que gosta de praticar, ela só tem isso. Pessoa mais próxima de Hyo-shin e possivelmente a única que um dia entendeu ela, a principal afetada pelos eventos causados por sua amiga, alvo de toda obsessão dela. Mesmo que pareça um pouco insensível, ela é cheia de sentimentos, vários deles, tantos que não sabe como lidar com eles. Como adendo, minha personagem favorita do filme.


E por fim, a protagonista, sim, a protagonista. A personagem que ao mesmo tempo que serve de gatilho, também é totalmente passiva quanto ao enredo. Min-ah é uma colegial comum, cheia de amigas, toda risos, gentil porém pouco notada, realmente uma menina comum, porém com um forte senso de justiça e bastante curiosa e intrometida. Ela serve como os olhos do espectador dentro do filme, o enredo desenrola perante os olhos dela, e o quanto conhecemos da história também depende apenas dela, porém, tal passividade tem um limite, chegando em um ponto onde ela se torna ativa de acordo com a imersão e desenvolvimento da história, e ironicamente, ela não tem relação nenhuma com as personagens acima durante parte do filme, e mesmo assim, também não poderia ser qualquer um, só ela poderia ter feito o que fez e só ela poderia dar o gatilho necessário.


O enredo começa quando Min-ah encontra um estranho diário, todo enfeitado e cheio de mensagens, esse diário era pertencente de duas amigas, amigas essas que pareciam ter uma relação incomum.
Quanto mais Min-ah se interessava pelo conteúdo do caderno, mais ela tinha vontade de conhecer as personas que criaram ele, ela queria entender o que acontecera. A partir daqui entra a parte confusa, o filme alterna entre passado e presente sem aviso prévio, mostrando o desenvivolmento da relação das meninas e posteriormente o que causou o término dela, momentos esses separados por um ponto zero, e esse ponto zero é também o principal evento do filme, que obviamente é spoiler. Até aqui todos já devem ter notado o que era essa relação incomum entre elas, mas como ela termina é um dos mistérios presentes no enredo, e com o desvendar desses mistérios os personagens se desenvolvem.
Quanto mais Min-ah avança em suas investigações, mais ela sofre com alucinações, paranoias, isso que vai afastando ela das demais pessoas e a colocando cada vez mais imersa dentro da história das meninas, o verdadeiro problema é que qualquer informação além dessa pode estragar a imersão do filme, porém, lembram da pauta colocada em vista no começo dessa postagem, então, é aqui que começamos.

Como já foi dito, Hyo-shin é uma princesa odiada, e a única pessoa que veio a entender ela é Shi-eun, elas passam muito tempo juntas e etc, porém, as demais meninas não entendem essa relação tão incomum para elas, e com isso um forte preconceito se forma, a típica visão do amor proibido, a pressão social forçando o que querem em quem acham que deveria "ficar na linha", o filme representa muito bem isso, sem parecer sexista e nem tentando causar controvérsia, afinal, no fim ainda é apenas um suspense colegial.

O amor de fato dói né, mesmo um sentimento tão impuro é tão regrado quanto a vida por si só.

Agora sendo totalmente quebra-clima, tecnicamente, é bem filme B mesmo, os poucos efeitos especiais que tem não são dos melhores, mas considerem que se trata de um filme de quase vinte anos. As atuações são boas onde precisam ser, principalmente dos personagens principais, são exclusivamente boas, e os poucos coadjuvantes que importam em algo também fazem seu trabalho bem. O filme tem uma boa trilha sonora, nada espetacular, o basicão de suspense mesmo, dando destaque para o encerramento, tem um toque bem simbólico e fica bem bonito após o filme encerrar, dando o toque certo de sentimentos no final.

Enfim, Memento Mori é um ótimo filme, não é de todo pesado e prende até o fim, seu enredo guarda bem as surpresas e a curiosidade é muito bem projetada na protagonista, mesmo com uma direção propositamente confusa, o filme não é difícil entender, é só questão de juntar os pedaços mesmo. E caso se apegue a história por completo, talvez sinta um pouco da carga emocional que os personagens carregam, afinal, esse filme é acima de tudo, um romance.

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