Jisatsu Circle/Suicide Club - Um filme misterioso, um mangá depressivo e a realidade presente

Olá pessoas que pagam pau pra Adidas porque virou modinha alternativa, como passam? Espero que bem.
Hoje traremos uma postagem normal mas diferente ao mesmo tempo. A ideia inicial era ser um simples review, mas a carga que a história carrega merece mais que isso, então hoje vocês serão apresentados ao Clube do Suicídio.




O filme

Suicide Club (ou O Pacto, como foi lançado no Brasil) é um filme de 2002 dirigido por Sion Sano, um poeta e diretor de filmes japonês que não fez grandes destaques em toda sua carreira, exceto por esse pequeno e problemático filme.
Ele passaria como mais um trash se não fosse seu tema, a sexta maior causa de mortes no Japão e atualmente a segunda maior causa de mortes de jovens pelo mundo todo, o suicídio. Além dele tratar de algo tão delicado, o filme é cheio de apresentações gráficas, tornando o filme totalmente sanguinolento e talvez até perturbador para algumas pessoas. 
O filme inicia com um grande grupo de colegiais se dirigindo a linha de trem, e assim que o mesmo chega perto, todas se jogam em frente ao trem causando uma das cenas mais icônicas do cinema japonês, mas isso se justifica no filme? Ou é apenas material para vencer violência? Bom, o filme se contextualiza, mas não da forma que esperam, tudo nele é misterioso, e até o último segundo não se sabe exatamente qual a causa que liga toda a série de suicídios em massa que ocorrem durante o filme, pode se relacionar com tudo, desde cultos até lavagem cerebral, o filme deixa todo o mistério em suas entrelinhas e suas reviravoltas dão o tempero final, em um filme onde nada parece fazer sentido e ao mesmo tempo tudo indica uma prova, isso que o faz tão misterioso e, até hoje, um ótimo filme investigativo, pois nesse filme o maior investigador será você mesmo.


O mangá

O mangá saiu quase simultaneamente com o filme, um pedido especial do diretor para o mangaká Usamaru Furuya, que alguns de vocês devem conhecer pelo mangá de Litchi Hikari Club, porém, diferente de mangás baseados em algo seguir a linha de história original, o diretor deu liberdade total ao mangaká e disse a ele para criar seu próprio "clube do suicídio". Não deu outra, a única coisa relacionada entre o mangá e o filme são seus começos com a mesma pesada e sanguinolenta cena do suicídio em massa em frente ao trem. Esse mangá não visa ser misterioso e nem esconder coisas entre seus diálogos, ele é um tipo de representação de adolescentes da época, depressivos, se cortando e constantemente falando que seriam mais felizes se apenas morressem, lembra algo para vocês? Exato, a geração não é muito diferente dessa nossa atual. 
O mangá percorre a história de uma única sobrevivente do suicídio e sua vida após sair viva do grupo do suicídio. Após isso ela fica obcecada pela antiga presidente do clube, mostrando os motivos dela simplesmente ter decidido morrer junto com todas aquelas meninas, além de explicar a origem do clube -dessa vez sem mistérios muito grandes-, com o passar do mangá ele mostra como um evento desses afeta tanto a pessoa participante quanto as pessoas a sua volta.
Quando as meninas se unem e morrem, deixa a impressão de que elas estão se livrando de um peso e que estão se libertando para a felicidade, deixando para trás tudo o que as deixava triste, mas em contrapartida, mostra o lado das pessoas que gostavam delas e como que o ato delas, gera mais desses atos em seguida, algo como "a sua tristeza passa a ser a tristeza dos outros". Diferente do filme, onde o motivo é misterioso, aqui tudo remete que é um ciclo eterno, ou melhor dizendo, um "jisatsu circle" (círculo de suicídio), onde uma morte influencia nas tristezas e mortes futuras, o que prova que tristeza e dor não se acabam, são passados de um para outro.


Então agora, antes de terminar, você que constantemente quer desistir e pensa que nada mais tem saída, tem sim, procure ajuda, busque lá no fundo os seus sonhos que sempre estiveram ali, pois assim como a tristeza é passada de um para outro, a felicidade também é, não termine algo que você mal pôde começar, viva por aqueles que ama, mas principalmente, ame a si mesmo e viva o suficiente para ver seus sonhos realizados, não importando o caminho até lá.




Então pessoas, é isso por hoje, desculpem se a postagem ficou mais pesada do que deveria, mas era algo que estava pesado dentro de mim e que eu precisava botar para fora de algum jeito, e como sabem, o CDO é uma tribo pré-histórica onde eu sou a pessoa mais forte que pega o alimento e luta contra os grandes lagartos, espero que tenham gostado, deixem seus laudos médicos nos comentários, até~


2 comentários:

  1. Caramba, isso foi meio caótico, acho. Estava para comentar algo decente aqui a um bom tempo, até pensei em responder a sua resposta no outro post mas a discrepância temporal me fez repensar um pouco /kroewkrow/ então eu deixo aqui as minhas desculpas por ser egoísta ao pensar só em mim e sumir sem dar "satisfação" as pessoas com quem conversava, bjs :B

    Agora sobre o post, é realmente meio caótico, quando pensei em lê-lo a um tempo atrás imaginei que seria algo prolongado mas até que foi bem breve, direto e reto. É um pouco triste de se pensar nesse assunto tão delicado e vê-lo sendo abordado de duas formas diferentes é... interessante? Não sei se essa seria a melhor palavra mas enfim, o mangá demonstra ser um pouco mais profundo, mostrando o que existe por trás do Suicide Club. E de alguma forma Durarara me veio a mente com isso, logo na primeira temporada, quando Izaya se encontra com uma garota com a qual pretendia cometer suicídio (no mangá eram duas, mas enfim), no final das contas ele da a ela uma lição um tanto dura e mostra que na realidade ela temia sim em jogar sua vida fora e a Celty salva ela. Izaya é muito duro com as pessoas, o que faz dele esse personagem odiavelmente bom.

    Eu provavelmente leria o mangá por curiosidade de ver como esse tema é abordado, de alguma forma eu acado pegando histórias bem diferenciadas com esse objetivo, foi assim com Battle Royale, vai ser assim com Midori (se um dia eu vencer a preguiça, meh). Obrigado por sempre aparecer com títulos bem interessantes e diferentões Guga!

    Mas não deixa de ser triste, alguém acabar concluindo sua existência tendo o suicídio como seu objetivo final. Gostei do penúltimo parágrafo e não, a meu ver a postagem não ficou pesada demais mas sim algo meio que necessário de se dizer.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Não fique acanhada, o CDO é um espaço livre de limites de espaço-tempo, onde tudo que é velho também é novo em uma realidade paralela :')
      Não precisa se desculpar nem explicar nada, mas o sentimento de fraqueza que a internet proporciona deixa qualquer um maluco, ainda mais quando uma pessoa do qual gosto muito some e eu me sinto sem meios de investigação, logo posso imaginar mil coisas que podem não condizer com nada real :') -eu to me extendendo demais diz que entendeu senão eu vou pirar-
      O mangá é de fato mais íntimo, como ele não trabalha com toda parte investigativa, mas sim os motivos da existência de tal culto do qual, tem a iniciativa de perder membros mas sempre continua aumentando seu número, se gostar de teorias, pode-se dizer que o mangá pode muito bem servir de prequel para o filme. Todo mundo teme perder a vida, porém de formas diferentes, o que o Izaya fez foi aflorar o apreço que ela tinha pela vida dela, apesar de todas as coisas ruins que pode ter passado, como diria Amianto da Supercombo, ninguém é de ferro, somos naturalmente sussetíveis à cair.
      MIDORI MASTERPIECE BEST ANIME EVER -n, mas vou cobrar, dê chance para a minha tão amada vendedora de camélias. Diferentão é comigo mesmo, o crítico hipster -n
      Pra mim falar sobre esse tipo de assunto é sempre pesado, já que vivo rodeado de amigos tentando suicídio, e até mesmo a mulher que amo sofrendo de depressão e muitas vezes pensando nesse tipo de coisa, é algo meio difícil de se falar quando se passa tão perto dele.
      <3

      Excluir